terça-feira, 31 de março de 2009

Mãe de menino atropelado e morto por caminhão está em estado de choque

Segundo familiares, ela não deve ir ao velório e ao enterro nesta terça.
Garoto gostava de andar de bicicleta e era grudado com irmão, diz tio.

A mãe do menino de 6 anos que morreu após ser atropelado por um caminhão na segunda-feira (30) está em estado de choque, sob o efeito de medicamentos calmantes, e não deve ir ao velório e ao enterro do filho nesta terça-feira (31), segundo familiares. O corpo de Ricardo Clemente dos Santos é velado desde a madrugada no Cemitério Campo Grande, na Zona Sul de São Paulo. O enterro está marcado para as 16h30.

Ricardo morreu após ser prensado pelo caminhão desgovernado em um muro. O veículo também atingiu duas vans, uma dela escolar, ao lado da escola municipal onde a criança estudava. Oito crianças e uma mulher de 57 anos ficaram feridas. A mulher está internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Segundo tios do garoto que estavam no velório, Ricardo era uma criança muito alegre, que gostava de ir para a escola e brincar na rua, principalmente de bicicleta. “Ele era uma criança muito amada, brincava muito de bicicleta, era o que mais gostava”, afirmou o motoboy Luís Goes, tio da criança. Ricardo tinha dois irmãos, José Henrique, de 8 anos, de quem era muito próximo, e Maria Luiza, de 2.

“Os dois estão tristes, perguntando do irmão. Mas eles são inocentes, não sabem muito bem o que aconteceu”, disse o marceneiro Francisco Souza Santana, cunhado de Maria Desterro Clemente, mãe do menino.

Para Goes, apesar de classificar o acidente como uma fatalidade, é preciso apurar a responsabilidade do motorista. “Foi uma irresponsabilidade do motorista descarregar um caminhão no horário de aula, do lado da escola. Lógico que ele não fez de propósito, foi uma fatalidade, mas precisa ver isso”, disse ele.

Susto na gravidez

Segundo Santana, a família já havia passado por uma situação muito difícil com Ricardo, antes mesmo de ele nascer. Maria foi atingida por uma bala perdida quando estava grávida de 3 meses da criança. Ela ficou ferida no pescoço e passou dez dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Foi um susto grande, mas esse agora foi muito maior. Ele nasceu bem, perfeito, e agora foi levado”, disse o marceneiro. Segundo ele, a mulher estava levando o filho mais velho ao médico, na região do Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo, quando foi atingida pela bala.

Bastante abalada, a auxiliar de serviços gerais Josikelly Clemente da Silva, tia do menino, mantinha as lembranças do sobrinho. “Ele gostava muito de brincar na rua, de ir para a escola, tinha acabado de começar o primeiro ano. Ele era muito próximo, carinhoso, ainda não acredito no que aconteceu”.

Polícia

Segundo a polícia, o motorista contou que estava fazendo a entrega de cestas básicas com os dois ajudantes, quando de repente o caminhão desceu a rua. Ele chegou a ser preso e foi solto após pagar fiança de R$ 1.220 durante a madrugada. De acordo com a Polícia Civil, ele foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Um dos ajudantes do condutor confirmou a versão. "Chegamos ao local umas 13h50. Como era ladeira, tomamos cuidado, eu puxei o freio de mão, como de costume. Quando estava na metade da carga, e eu voltei para pegar outra caixa, o caminhão já estava descendo. Não deu tempo de fazer mais nada. Foi uma fatalidade", disse Lameque Silva Miguel.

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